Pesquisadora da Embrapa Cerrados destacou a Bioanálise de Solos (BioAS) em evento preparatório para a COP30. A ferramenta, que possui o maior banco de dados de atividade enzimática do mundo, será integrada a uma nova plataforma a ser lançada na cúpula do clima.
BRASÍLIA (DF) – Entre os dias 5 e 7 de novembro, a Conferência Global sobre Agricultura Climaticamente Inteligente, realizada na Universidade de Brasília (UnB), serviu como palco para que o Brasil apresentasse uma de suas inovações mais promissoras para uma agricultura sustentável. A Embrapa Cerrados participou do evento levando a tecnologia de Bioanálise de Solos (BioAS), desenvolvida para avaliar de forma pioneira a saúde dos solos em larga escala.
A conferência reuniu cientistas, formuladores de políticas públicas, empresários e investidores com o objetivo de integrar ciência, políticas e inovação, criando soluções práticas para sistemas agrícolas mais resilientes às mudanças climáticas.
No espaço “Cool Innovations Corner”, dedicado a inovações, a pesquisadora Ieda Mendes, da Embrapa Cerrados, apresentou a BioAS. “Como um evento pré-COP, nossa participação foi crucial. Pudemos mostrar ao mundo a contribuição pioneira do Brasil na avaliação em larga escala da saúde do solo”, afirmou Mendes.
Fortalecimento de Parcerias Internacionais
A véspera da conferência foi marcada por uma visita estratégica de especialistas internacionais à sede da Embrapa Cerrados. A comitiva incluiu Leigh Winowiecki, co-líder da Coalizão de Ação para a Saúde do Solo (CA4SH) – uma das instituições coorganizadoras do evento –, além de representantes do Centro Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes (IFDC) e do CIFOR-ICRAF.
Para Winowiecki, a visita foi uma “oportunidade empolgante para troca de conhecimentos”. “Discutimos monitoramento da saúde do solo, inovações em microbiologia e gestão sustentável da terra, fortalecendo a colaboração entre cientistas de diferentes continentes em preparação para a COP30”, explicou.
Da Inovação à Plataforma Global
Lançada em 2020, a tecnologia BioAS representou um avanço ao incluir o componente biológico – anteriormente negligenciado – nas análises de rotina do solo, que se limitavam a aspectos químicos e físicos. Esse passo colocou o país na vanguarda da avaliação da saúde do solo.
A ferramenta já reúne o maior banco de dados de atividade enzimática de solos do mundo, com informações de 56 mil amostras coletadas em todas as regiões brasileiras.
O próximo passo será o lançamento da Plataforma Saúde do Solo BR: Solos Resilientes para Sistemas Agrícolas Sustentáveis. A iniciativa será apresentada na COP30 e tem como missão democratizar o acesso a esse vasto banco de dados. A plataforma se consolida como uma ferramenta inédita, transformando dados complexos em conhecimento acessível para agricultores, pesquisadores e gestores públicos, fomentando a transição para uma agricultura de baixo carbono e mais resistente às intempéries climáticas.


