O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) apresentou o projeto CompensaJUD durante o 11º Encontro Nacional de Sustentabilidade da Justiça do Trabalho, realizado de 14 a 16 de outubro, em Brasília (DF). A iniciativa reúne ações de recuperação ambiental que podem contribuir para compensar parte das emissões de gases de efeito estufa do Poder Judiciário.
Convidado a conduzir uma oficina no Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Núcleo de Sustentabilidade do TJMT compartilhou métodos de planejamento, plantio de espécies nativas e monitoramento ambiental. A proposta é mostrar como compromissos institucionais com a sustentabilidade podem se transformar em medidas práticas.
Oficina abordou descarbonização no Judiciário
A participação ocorreu na atividade “Justiça Carbono Zero na prática: do inventário ao plano de descarbonização”, ministrada pela servidora Elaine Cristina Pincerato Alonso, assessora do Núcleo de Sustentabilidade. Com três horas de duração, a oficina reuniu profissionais de diferentes tribunais para discutir inventários de gases de efeito estufa e estratégias para reduzir emissões.
O encontro promovido pelo TST também abordou mudanças climáticas, governança socioambiental e planejamento sustentável. Um dos destaques foi o Programa Justiça Carbono Zero, instituído pela Resolução nº 594/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Durante a atividade, Elaine apresentou a experiência do CompensaJUD e destacou a importância da troca de conhecimentos entre as instituições. Segundo ela, o contato com profissionais de diferentes estados permitiu compartilhar soluções e conhecer novas práticas para tornar a atuação do Judiciário mais sustentável.
A oficina também recebeu avaliação positiva de participantes. Taynah Borsoi de Siqueira, chefe da Seção de Sustentabilidade do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), no Espírito Santo, ressaltou a clareza da apresentação e a contribuição dos conteúdos para o trabalho técnico.
Entre os assuntos discutidos estavam a elaboração de inventários de emissões, o escopo 3 e as formas de compensação, incluindo a aquisição de créditos de carbono. Exercícios práticos ajudaram os participantes a compreender os conceitos apresentados.
CompensaJUD prevê expansão a partir de 2027
Coordenado pelo desembargador Rodrigo Roberto Curvo, o CompensaJUD foi apresentado desde a etapa de planejamento até a execução das ações de recuperação ambiental. A metodologia inclui a escolha de áreas adequadas, a seleção de espécies nativas, a formação de parcerias e o acompanhamento das áreas plantadas.
O projeto foi implementado nas comarcas de Várzea Grande e Chapada dos Guimarães em novembro de 2025. A previsão é ampliar a iniciativa para outras localidades do estado a partir de 2027.
O plantio de árvores nativas pode favorecer a biodiversidade e ajudar na recuperação de áreas degradadas. Com o crescimento da vegetação, parte do dióxido de carbono da atmosfera também pode ser armazenada na biomassa. A quantificação desse benefício, porém, depende de acompanhamento técnico e da medição efetiva das remoções de carbono.
Projeto busca inspirar outras instituições
Para Jaqueline Bagão Schoffen, gestora do Núcleo de Sustentabilidade do TJMT, a apresentação em âmbito nacional abre espaço para divulgar a experiência e incentivar iniciativas semelhantes em outras instituições.
A gestora destacou que a troca de conhecimentos pode contribuir para ampliar as práticas sustentáveis no setor público, desde que cada instituição considere suas condições e necessidades locais.
Com a participação no encontro, o TJMT levou a outros tribunais uma experiência que combina recuperação da vegetação nativa, planejamento ambiental e ações voltadas à descarbonização institucional.
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