“Sacudi com toda a força”: balões e corda viram ferramentas para desabafar em ação de saúde mental em Várzea Grande


Estourar um balão cheio de ansiedade e sacudir uma corda com a força de quem precisa colocar uma dor antiga para fora.

Foi com dinâmicas simples, movimento e muita escuta que a Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Jardim Santa Isabel, em Várzea Grande, transformou a manhã da comunidade em um encontro de desabafo e acolhimento na luta contra a depressão.

A ação, alusiva ao Setembro Amarelo, foi comandada pela enfermeira Cida Campos e movimentou os moradores do município com exercícios físicos, orientações e dinâmicas interativas.

“Botar para fora tudo o que está no coração”

Entre os participantes que aceitaram o desafio de falar sobre as próprias dores estava a aposentada Maria Lúcia Zanon Ramos, de 64 anos. Com histórico de depressão e tratamento contra o câncer, ela relembra que encontrou na rede de saúde de Várzea Grande o apoio que precisava quando mais se sentiu sozinha.

Na dinâmica “Explosão de Alívio”, Maria Lúcia estourou o balão com o sentimento que enfrentava, leu uma mensagem de apoio e usou a corda para simbolizar a libertação do peso emocional.

“Quando fiz tratamento de câncer, precisei muito de pessoas que me ouvissem. Eu precisava desabafar. Na atividade, peguei a corda e sacudi com toda a força do mundo para botar para fora tudo o que sentia guardado dentro de mim”, contou Maria Lúcia.

Atenção em casa: o perigo das blusas de frio no calor

Além do acolhimento aos idosos e adultos, a equipe da unidade fez um alerta contundente para pais, responsáveis e educadores de Várzea Grande sobre os sinais silenciosos do sofrimento emocional em crianças e adolescentes.

A enfermeira Cida Campos destacou que o uso de roupas de manga comprida, casacos ou capuzes durante os dias quentes da cidade pode ser um forte indício de que o jovem está tentando esconder marcas de automutilação no corpo.

  • Caso real no município: A unidade acolheu recentemente uma estudante de Várzea Grande trazida pela escola que apresentava comportamento retraído e vestia casaco no calor. Após a escuta atenta dos profissionais, o caso foi identificado e encaminhado para acompanhamento especializado.

  • Rede de apoio local: Em situações de crise, os postos de bairro realizam o primeiro atendimento e encaminham os pacientes para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Várzea Grande e para as ações integradas do Programa Saúde na Escola.

O médico de família Anderson Leal e a gerente da unidade, Maristela de Moraes, reforçaram que mudanças repentinas de humor, isolamento no quarto e frases de desânimo nunca devem ser ignoradas pela família.

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