Polícia Civil identifica mãe de recém-nascida encontrada morta em lixeira de condomínio em Várzea Grande


A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), identificou e ouviu a mulher apontada como mãe da recém-nascida encontrada morta dentro de uma caixa de papelão em uma lixeira de um condomínio em Várzea Grande. Moradora do próprio complexo residencial, ela foi localizada no âmbito das investigações conduzidas para esclarecer o infanticídio.

O caso veio à tona após imagens de sistemas de videomonitoramento flagrarem a moradora carregando uma caixa até a área comum de descarte de lixo, onde depositou o recipiente e retornou. Dentro da caixa, o corpo da bebê foi localizado envolto em uma sacola plástica, ainda acompanhado do cordão umbilical, da placenta e de resíduos decorrentes do parto.

Laudos Periciais e Constatação de Vida

Conforme os laudos elaborados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), a criança apresentava cerca de 26 semanas de gestação — o equivalente a aproximadamente seis meses — e pesava 750 gramas.

  • Nascimento com Vida: Embora os peritos não tenham identificado marcas de violência física externa no corpo da recém-nascida, os exames técnico-científicos comprovaram que a bebê chegou a respirar após o nascimento, indicando que nasceu com vida e sobreviveu por um curto intervalo de tempo antes de falecer.
  • Causa Mortis: A determinação exata da causa do óbito continua sob análise minuciosa por parte dos peritos criminais.

Versão Apresentada em Depoimento

Durante seu interrogatório na delegacia, a mulher confessou a maternidade e admitiu ser a pessoa que aparece nas imagens de segurança. Ela alegou aos investigadores que suspeitava vagamente da gestação devido à persistência de sangramentos, mas que nunca realizou exames de pré-natal, ocultando a situação do marido e dos demais familiares.

Segundo o seu relato, na noite do último dia 22 de julho, enquanto o companheiro dormia, ela foi surpreendida por um parto prematuro repentino no banheiro da residência, dando à luz sozinha. A investigada afirmou que a criança parecia sem vida ao nascer, momento em que cortou o cordão umbilical, acondicionou o corpo e os resíduos do parto na caixa e levou o material até a lixeira do condomínio durante a madrugada. Apoiada na justificativa de estar em completo estado de desespero e choque emocional, ela negou o uso de substâncias abortivas ou a cooperação de terceiros.

O marido da suspeita também foi ouvido formalmente e corroborou, em linhas gerais, a narrativa da companheira, assegurando que desconhecia a gravidez e que só tomou conhecimento dos fatos dias depois, após a ampla repercussão do caso.

Próximos Passos da Investigação

De acordo com o delegado titular responsável pelo inquérito, Rogério Gomes, as diligências continuam para apurar todas as circunstâncias que antecederam o parto e a morte da criança, sem descartar a hipótese de o nascimento prematuro ter sido induzido por substâncias abortivas ou outra forma de interferência externa.

O inquérito policial deve ser finalizado e remetido ao Poder Judiciário nos próximos dias. Com base nos exames que atestaram que a criança nasceu com vida, a mulher deverá ser indiciada inicialmente por homicídio, embora a qualificação jurídica exata possa sofrer alterações mediante a entrega dos laudos complementares definitivos.

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