Sobre troca no Ministério da Saúde: Se você fizer lockdown no NE vai me foder e perco a eleição, diz Bolsonaro

A médica cardiologista Ludhmila Hajjar, durante gravação do programa Poder em Foco, em abril de 2020

Enunciação foi para Ludhmila Hajjar

Presidente insistiu sobre cloroquina

Médica e Bolsonaro: sem acerto

A indicação da médica cardiologista Ludhmila Hajjar para assumir o Ministério da Saúde não decolou. O presidente Jair Bolsonaro recebeu a cardiologista do Incor e dos hospitais Star, da Rede D’Or, no domingo (14.mar.2021) e na manhã desta 2ª feira (15.mar). As conversas não fluíram muito para nenhum dos lados.

Participaram da reunião de domingo, no Palácio da Alvorada, o atual ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A presença de Pazuello e do rebento do presidente foi uma surpresa para a médica.

Ludhmila Hajjar viajou a Brasília com o pedestal –público ou reservado– de nomes uma vez que o do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM); do procurador-geral da República, Augusto Aras; e dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federalista) Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Todos, de uma forma ou de outra, deixaram Bolsonaro saber que apoiavam a cardiologista para ser a novidade ministra da Saúde.

Seu nome, no entanto, não foi muito aceito nas redes de apoiadores de Bolsonaro na internet –que são um termômetro considerado pelo presidente sempre que vai nomear alguém para cargos-chave em seu governo. Mesmo reprovada nesse “teste de estresse”, a cardiologista foi recebida por Bolsonaro. O presidente não queria ser visto uma vez que alguém que se recusa a ao menos conversar –embora já não fosse simpático ao nome de Ludhmila.

A reunião de domingo (14.mar) deu aos defensores da cardiologista a sentimento de que estava encaminhada sua indicação para substituir Pazuello. Lira até mesmo veio a público, por meio das redes sociais, manifestar que apoiava a nomeação.

O encontro no Alvorada teve notório constrangimento logo de face, pois Ludhmila foi a uma reunião para ouvir um invitação para ser ministra e encontrou na mesma sala o general que poderia substituir. Passou tapume de 3 horas mais ouvindo do que falando, pois todos os presentes se esforçaram para proferir que zero havia sido feito de incorrecto até agora na política do governo federalista para combater o coronavírus.

A médica foi sabatinada pelo presidente e seu rebento. Eduardo Bolsonaro quis saber o que ela achava de 2 temas: monstro e armas. Segundo apurou o Poder360, ela respondeu que considerava o tema das armas relacionado a polícias e às Forças Armadas, e que não nutria simpatia por armar a população. Não foi provável apurar sua resposta a saudação de monstro.

Num determinado momento, Bolsonaro quis saber o que a médica achava da cloroquina. Ludhmila disse que não iria desdizer o presidente eventualmente no Ministério da Saúde, mas que essa temporada já havia pretérito. Que era necessário olhar para a frente. O presidente insistiu. Disse que ninguém sabe ainda o que funciona ou não para tratar a covid-19. E que os médicos têm o recta de prescrever o que quiserem. Nesse vista, houve divergência entre Bolsonaro e Ludhmila.

O presidente perguntou também sobre medidas que restringem a circulação da população para frear os contágios pelo coronavírus. Disse ser contra o fechamento de negócios e a adoção de toque de recolher, casos de São Paulo e Brasília, por exemplo.

A reportagem do Poder360 apurou que o presidente em determinado momento dirigiu-se a Ludhmila no seu estilo que mistura franqueza com rispidez: “Você não vai fazer lockdown no Nordeste para me foder e eu depois perder a eleição, né?”.

Ludhmila afirmou que as medidas de distanciamento mais restritivas deveriam ser tomadas em situações extremas, em locais em que o número de doentes e de mortes exigisse isso. Pazuello entrou na conversa. Disse que tinha dados diferentes e que os governadores estavam mentindo sobre a taxa de lotação de UTIs (unidades de terapia intensiva) e outras estatísticas. Ludhmila expressou descrença sobre isso.

O atual ministro da Saúde também fez uma longa exposição sobre uma vez que tem transportado a pasta. Defendeu sua gestão. Disse que estava possivelmente saindo do missão porque não se aliou a ninguém, a nenhum grupo, diferentemente de Ludhmila, que vinha recomendada inclusive por políticos com vários interesses. O Poder360 apurou que Pazuello se referia, de maneira oblíqua, ao deputado Arthur Lira. O presidente ouviu e não redarguiu, uma vez que que concordando com a fala do ministro.

Ludhmila e Bolsonaro voltaram a se reunir nesta 2ª feira (15.mar). Pouco depois do encontro, a médica foi à CNN Brasil e também à TV Mundo proferir que foi convidada para assumir a Saúde, mas que recusou por “motivos técnicos”.

A substituição de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde é tida uma vez que certa. O Planalto é pressionado para mudar sua política de combate à pandemia, que já deixou mais de 278 mil mortos no Brasil.

Com o nome de Ludhmila riscado da lista de opções de Bolsonaro, sobram 2 outros cotados para a vaga.

Um deles é Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Queiroga é um bolsonarista de raiz e agrada mais aos militantes fiéis ao presidente. O outro é o deputado Dr. Luizinho (PP-RJ).

Análise

Bolsonaro de uma vez só se indispôs com uma profissional médica muito respeitada e também com todos que a indicaram. O presidente da Câmara (que ficou vendido em público), o procurador-geral da República e 2 ministros do STF e 1 governador de Estado. Não é pouca coisa.

A médica Ludhmila Hajjar foi educada e comedida ao relatar o que se passou em entrevistas para a CNN Brasil e a Mundo. Mas o Poder360 apurou o que houve de veste nas últimas tapume de 48 horas. Bolsonaro não pretende recuar de suas ideias sobre uma vez que atuar na pandemia.

Esse incidente revela que o presidente não quer um novo ministro da Saúde. Deseja exclusivamente um substituto para Pazuello. Alguém que continue a fazer tudo do mesmo jeito, mas que exclusivamente consiga se relacionar melhor com a mídia e tenha uma narrativa mais plausível por secção dos seus aliados no Congresso e no Judiciário. Toda a equipe e a estrutura montadas pelo atual ministro ficarão intactas para o novo titular da pasta. Na prática, fora a troca de nome, fica tudo igual.
Não vai ser fácil.


Foto: Sérgio Lima/Poder360

Espia Aqui:

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o médico Marcelo Queiroga para substituir Eduardo Pazuello como ministro da Saúde.

Queiroga se reuniu na tarde desta segunda-feira (15) com Bolsonaro no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, a nomeação de Queiroga será publicada na edição desta terça-feira do “Diário Oficial da União”.

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