Relativismo e Ilusão do Tempo

Quem teve a brilhante e genial ideia de recortar a eternidade em fatias foi de uma genialidade extraordinária. Olha que interessante, industrializou-se a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Nem tudo é poesia temporal, ficamos reféns e escravizados por um Senhor que criamos e chamamos de tempo. Nossas almas são essências energéticas, portanto, são imortais. Mas ainda estamos na infância do despertar de nossas consciências cósmicas e necessitando criar recortes imaginários na eternidade celestial a fim de darmos concretude, proximidade e facilitar no planejamento de ações e realizações de metas, tornando o futuro mais palpável e tangível …
Permitam-me compartilhar um pequeno diálogo de Galilei a respeito do tempo. Conta-se que alguém em certa ocasião perguntou a Galileo Galilei a sua idade, que de pronto respondeu:
– Oito ou dez, respondeu Galileo, em evidente contradição com sua barba branca.
Antes que o interlocutor dissesse algo ele se adiantou:
– Tenho, na verdade, os anos que me restam de vida, porque os já vividos não os tenho mais.
O que é o tempo diante da eternidade divina? Somos espíritos imortais, fomos criados com os mesmos átomos que criaram as estrelas e planetas, nossa essência é energia e nossos corpos físicos são energias condensadas… não podemos destruir a energia, ela “apenas” se transforma. Lembremos de Lavoisier quando disse que “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Ainda precisamos imaginar a eternidade em pacotes setorizados e fragmentados de experiências vivenciadas e criar caixas em branco de recortes para futuras experiências.
Mas que parâmetros usamos para criar o tempo terrestre? Em síntese, os movimentos da nossa Mãe Gaia… e na observação do movimento de Rotação da Terra, ou seja, o giro que o planeta realiza ao redor de si mesmo, do seu próprio eixo, que tem duração aproximada de 24h, deu-nos a mágica criação do período de um dia.
Nossa imaturidade consciencial e espiritual estão sempre desfragmentando o Todo, dividindo a Totalidade, acondicionando em pacotes o que criamos e chamamos de tempo. Observando o movimento de Translação, ou seja, o movimento que a Terra realiza ao redor do Sol, em uma órbita elíptica, e que tem a duração de 365 dias, 5h e 48min, esta volta do nosso Orbe ao redor da sua estrela convencionamos como o período de 1 ano.
Interessante destacar que a contagem do tempo é diferente em outros planetas do Sistema Solar e de outros. Por exemplo, 1 ano em Mercúrio equivale a 88 dias, isso em razão da proximidade deste Orbe com o Sol. Olha o contraste com o planeta Netuno, no qual 1 ano equivale a 60.190 dias, quase 165 anos terrestres. Já em Júpiter, 1 ano equivale a 4.332 dias. Não é somente a distância do planeta em relação a sua estrela principal que implica no período de 1 ano, ou qualquer outro lapso temporal.
Se não bastasse esse relativismo do tempo, conforme a força gravitacional e outras variantes dos Orbes, vamos agregar a questão de outras dimensões. Os espiritualistas e alguns espíritas já são bem familiarizados com a existência de outras dimensões e a ciência terrestre já admite a existência de 10 dimensões, com a Teoria das Supercordas. Teoria esta que une a Relatividade Geral (que se aplica ao macrocosmo, aos objetos grandes) e a Mecânica Quântica (que se aplica ao microcosmo, aos pequenos e minúsculos objetos).
Einstein sugeriu que o tempo e o espaço formam um todo único, e deu a isso o nome de “espaço-tempo”. Desta forma, não podemos vê-los como coisas separadas. As teorias de Einstein ajudaram a reforçar que o entendemos por tempo é bastante limitado. Seguindo esse raciocínio, seria incorreto pensar que o tempo é o mesmo em todo lugar. Por exemplo, um relógio que esteja com alguém que esteja na praia vai assinalar um tempo diferente de outra pessoa que não está em uma cidade litorânea, isto ocorre pelo fato de quanto mais próximo da Terra, onde a gravidade é mais intensa, mais devagar o tempo passa. Nossos relógios de pulso e celulares não são capazes de detectar essa diferença de infinitésimas frações de segundo, porém instrumentos sofisticados de laboratórios conseguem detectar essa diferença.
“Só sei que nada sei”, esta afirmativa de Sócrates parece destinada a acompanhar a humanidade eternamente, estamos avançando em cumprimento à Lei do Progresso e da Evolução e desconstruindo algumas poucas certezas que tínhamos… Sabe-se agora que não há o espaço que contém o mundo e não há o tempo ao longo do qual se sucedem os acontecimentos. Existem processos elementares em que quanta de espaço e matéria interagem entre si continuamente. A ilusão do espaço e do tempo contínuos à nossa volta é a incapacidade e miopia de nossa visão de enxergarmos diante de um pulular de processos elementares. É como se tivéssemos assistindo a um belo filme, de forma contínua, mas que é feito com múltiplas molduras.
A realidade de um objeto não é contínua, é granular. Da mesma forma que a água de um lago é a dança frenética de milhares de minúsculas moléculas de água. A física quântica levanta o véu dos mistérios da vida, provando que há matéria que só ocupa espaço quando interage. A realidade não é o que parece, existe uma evolução do pensamento cartesiano que foi criado por René Descartes e consiste no ceticismo metodológico – duvida-se de cada ideia que pode ser duvidada. Para Descartes só se pode dizer que existe aquilo que possa ser provado.  A máxima que se aplica na atualidade é “relaciono-me, logo existo”.
Como assim? Concebam que os elétrons nem sempre existem. Eles materializam quando colidem com outra coisa. Os saltos quânticos de uma órbita ou camada para outra constituem a sua forma de existência. Sem interação o elétron não está em lugar nenhum. Esse mesmo elétron ora é partícula, ora é onda. No mundo quântico não faz sentido falar de como as coisas são ou parecem ser em um determinado momento, mas como interagem e como se processa suas influências umas sobre as outras.
Quando adentramos no mundo quântico expandimos nossas consciências e acessos universos, então desconhecidos. A Teoria da Gravidade Quântica em Loop e a Teoria das Cordas não passa de uma tentativa de explicar o mundo. Como vários conceitos clássicos da ciência, mas nem por isso tem menos valor. Até as Ondas Gravitacionais serem confirmadas em 2016, elas também não passavam de uma hipótese de Einstein, o mesmo ocorreu com o bóson de Higgs e as ondas eletromagnéticas.
Percebe-se que as teorias científicas que descortinam novos horizontes conscienciais sempre estão na vanguarda e que o problema é o anacronismo resultante da incapacidade tecnológica humana para fins comprobatórios, além da resistência que envolve a desconstrução de um ilusório saber sólido e concreto.
Peço licença para usar recorte da linda e reflexiva música de Legião Urbana – Tempo Perdido para sintetizar o que rascunhei.
“Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou,
Mas tenho muito tempo,
Temos todo o tempo do mundo”.

Vini Bello

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