Pseudorrevolucionário

Gritos de ordem (às vezes, só refletem desordem)! Linguagem corporal agressiva! Discursos que destilam ódio e intolerância! Alguns com ânimos belicosos bradam verbos que beiram à insânia! Muitas vezes as agressões físicas e vandalismo com bens patrimoniais privados e públicos são as manifestações revolucionárias desses jovens…

O cenário acima descrito reflete mais as ações e formas “democráticas de manifestação da liberdade de pensamento” dos jovens sustentados pelos seus pais e que adentram nas universidades e faculdades e recebem uma enxurrada de literaturas ideológicas com as quais os seus docentes comprazem e defendem com tenacidade e, em alguns casos, usam de forma catequizadora e impositiva da posição de mestre e das avaliações. Mas, atualmente o espírito de pseudorrevolucionário se tornou mais democrático e surgiu com prodigalidade em adolescentes e pessoas na fase madura e na melhor idade.

Muitos acreditam que ser um revolucionário é desconstruir por desconstruir, sem propor um novo e efetivo projeto a fim de dar resolutividade aos seus reclames repletos de cólera e agressões verbais e, em alguns casos, agressões físicas. Acreditam que é um movimento externo, sem nenhuma relação com a sua revolução íntima. Esses pretensos revolucionários querem promover a derrocada de tudo, reformar qualquer coisa desde que o seu político de estimação ou sua ideologia partidária esteja fora do sistema. Não há efetiva preocupação com o coletivo e não ensaiam um diálogo realmente democrático e respeitoso em prol da sua cidade, Estado ou da Nação.

Em síntese a revolução se baseia em substituir um nome por outro, um bloco partidário por outro, os interesses individuais sempre em detrimento do coletivo, se meu partido político ou político de estimação não estiver no governo eu vou desconstruir, não vou propor, não reconhecerei nada de positivo, agregar para quê? São movimentos pseudorrevolucionários que infiltram nos tentáculos do Estado, nos aparelhos ideológicos do Estado, no terceiro setor, arregimentam-se muitos profissionais que deveriam ser educadores e os transformam em catequizadores ideológicos que devem direcionar, limitar e dar uma visão míope das ideologias e das diversas realidades. O jovem somente pode ter acesso a determinada ideologia, só pode enxergar por um único e determinado prisma, não há espaço para ponderações diversificadas e para a pluralidade de ideias e concepções…

Os programas televisivos, em sua maioria, são pensados, estudados e formatados para tirar qualquer resquício de capacidade de análise e raciocínio lógico dos telespectadores. Mensagens subliminares nos programas vão moldando o pensar da massa e atrofiando suas capacidades de raciocínio e reflexão. Nos noticiários distorcem, dissimulam, mostram uma parte desconecta do contexto, dão absurda a ênfase um uma ação isolada em detrimento do conjunto na qual a obra ou o cenário estão inseridos… as imagens que têm um apelo absurdo e hipnotizante são repetidas várias e várias vezes, até que a mentira ou distorção se torne uma verdade para o robotizado telespectador. Trata-se da mesma tática de propaganda usada por Hitler…

Milhões no Brasil e bilhões no mundo estão nas suas Cavernas de Platão, desde a infância têm suas visões e consciências amarradas em uma imaginária parede, uma parede consciencial! Esses prisioneiros conscienciais só podem avistar as sombras ideológicas e os cenários que são projetados em suas telas mentais por uma rede estruturada e organizada que visa o interesse de grupos na busca e perpetuação no poder. Mas, eis que alguns conseguem ampliar suas visões e percepções, e passam a enxergar outras sombras e até ecos. Percebe que existe outras pessoas e outras formas de e pensamentos refletindo outras sombras.

No início, tomado por perplexidade, o liberto se assusta ao saber que o seu mundo tem várias possibilidades e pode ser analisado e interpretado por inúmeros ângulos. A luz desse novo conhecimento ofusca a, então atrofiada e limitadora visão de mundo, sente-se desconfortável, desamparado e sem rumo.

O liberto se vê com duas possibilidades: Regressar à sua caverna e libertar seus velhos companheiros; ou vivenciar sua liberdade e ampliar o tamanho do seu universo. Caso opte pela primeira sofrerá com os ataques e agressões verbais, podendo inclusive ocorrer agressão física. Também será chamado de reacionário, agressivo, retrógrado e outros adjetivos depreciativos, em veemente contradição entre a fala, os pensamentos, ações e a realidade dos aprisionados…

Observando o transcorrer da história da humanidade depreendemos de que sempre o que existiu foi somente a substituição de um grupo dominante por outro, nunca deixou de existir uma classe dominante e a classe subjugada, nunca deixou de existir um pequeno grupo com condições financeiras privilegiadas em detrimento do mínimo ou da penúria de muitos. Sempre quem toma o poder com sua pseudorrevolução se apropria da mesma e criar uma classe de privilegiados, visando perpetuar as benesses para si e para seu grupo. E quem pensa de forma distinta é, no mínimo, perseguido e forçado “a se encaixar” …

A verdadeira, sólida e estrutural revolução é a nossa revolução consciencial, a nossa reforma intima, e esta deve ser pautada em princípios que derivam da fraternidade e que se apoie na educação libertadora e não na educação catequizadora. Uma reforma que nos liberte também dos extremos e do exclusivismo, que resultam em fanatismo ideológico tão perigoso quanto o fanatismo religioso. A historiografia nos mostra com riquezas episódios infelizes e cruéis quando o fanatismo se torna a mola propulsora de uma Nação, independente de Sistema de Governo ou cores partidárias. Equidade, equilíbrio, respeito, tolerância, indulgência, e empatia devem pautam qualquer projeto reivindicatório que vise reais transformações sociais em benefício da coletividade.

Somente poderemos ter uma sociedade mais justa e igualitária quando reformarmos velhos vícios da humanidade, como o egoísmo, orgulho, indiferença e a ganância, que estão cristalizados na maioria dos humanos. O externo, a forma e a ideologia são superficialidades desprovidas de sentimentos enobrecedores, é retórica de pretensioso intelectual, a verdadeira revolução que nos capacita para uma sociedade mais justa é da alma!

Discórdias deveriam ser edificantes momentos de aprendizado e crescimento, uma troca horizontal de entendimentos e saberes a fim de oportunizar a construção de novos e mais eficazes entendimentos e conhecimentos em favor da humanidade. As pessoas se perdem na infância da razão, são crianças crescidas que não trabalharam suas emoções, não sabem o caminho da união, pois não aprenderam a desenvolver a compaixão!

Vini Bello

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