Persistente onda de frio nos EUA já deixou ao menos 20 mortos

Uma nevasca, causada por uma onda de frio extremo que já dura uma semana, deixou 20 mortos e milhões sem energia nas regiões sul e central dos EUA, lugares que não estão acostumados com temperaturas tão baixas. A tempestade de terça-feira (16) levou neve, granizo, chuva congelante e interrompeu a vacinação em vários estados norte-americanos.

As temperaturas caíram para patamares que não eram vistos em mais de um século, com -14°C, em Oklahoma City, o dia mais frio desde 1899, e -20°C em Fayetteville, no estado de Arkansas. Algumas pessoas morreram em razão da temperatura, outras após tentativas frustradas de escapar do frio. Em Houston, uma mulher e uma menina de 8 anos morreram intoxicadas por monóxido de carbono do carro, que foi ligado na garagem para aquecê-las. Um garoto de 10 anos morreu ao escorregar e cair em um lago em Millington, no Tennessee. A passagem de um tornado, na Carolina do Norte, agravou ainda mais a situação e matou pelo menos três pessoas.

Mais de 5 milhões de norte-americanos ficaram sem eletricidade, de acordo com o site PowerOutage.us, que agrega dados das concessionárias. A maioria das interrupções ocorreu no Texas, onde muitos locais estão sem luz desde domingo (14). As interrupções de energia também causaram problemas nas estações de tratamento de água. No Texas, autoridades locais emitiram alertas à população de que era preciso ferver a água antes de consumi-la. Milhares de pessoas no estado, de Dallas até a fronteira com o México, ficaram completamente sem água e foram obrigados a usar neve derretida para dar descarga nos vasos sanitários.

Especialistas disseram que esta é a massa de ar mais fria dos últimos 30 anos. A peculiaridade é que, além de intensa, ela tem sido persistente. Em Minneapolis, a temperatura está 16 graus abaixo da média e em 9 dos últimos 11 dias a temperatura se manteve abaixo de -10°C. Em Omaha, no estado de Nebraska, aconteceu a mesma coisa em 10 dos últimos 11 dias – a cidade de Lincoln registrou na terça-feira -31°C. Cientistas acreditam que a onda de frio seja um fenômeno ligado ao aquecimento global, que enfraquece a capacidade do vórtice polar de reter as massas de ar frio. Cada vez mais frequentemente, os ventos gelados “escapam” e se espalham por regiões localizadas ao sul da área polar, causando distorções estranhas na temperatura. Na terça, a cidade de Kansas City, no centro dos EUA, registrou -10°C, enquanto em Fairbanks, no Alasca, a mínima foi de 5°C.

A combinação de baixas temperaturas e falta de energia preocupa as autoridades, que temem um aumento de doenças relacionadas ao frio e mais mortes, especialmente entre grupos vulneráveis como idosos e moradores de rua – um sem-teto foi encontrado morto na terça em Houston. “Com relação às mortes causadas pelo frio, a maior parte está ligada ao aumento de doenças respiratórias”, disse Scott Sheridan, especialista em mortalidade relacionada à temperatura da Kent State University. “Mas, pelo fato de a covid já ter causado um distanciamento entre as pessoas, a temporada de gripe não foi particularmente forte este ano. Então, pode ser que não tenhamos um aumento tão grande quanto o esperado.” “Teremos mais mortes ligadas à hipotermia, ataques cardíacos e acidentes”, afirmou Larry Kalkstein, outro especialista, da Universidade de Miami. “Mas eu não esperaria um pico de mortes como o que tivemos recentemente durante os piores eventos de calor no Meio-Oeste ou no Nordeste dos EUA.”

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