O que é a NSA, o órgão de dados de criptologia norte-americano?

O que é a NSA, o órgão de dados de criptologia norte-americano?

A criptologia é o estudo de técnicas por trás da criptografia, ou codificação de dados a partir de códigos. Ela é essencial para o desenvolvimento de métodos de tradução de mensagens trocadas por serviços de inteligência e grupos terroristas, por exemplo, que tentam se comunicar sem terem o conteúdo revelado.

Os Estados Unidos possuem a maior agência do mundo dedicada a essas tarefas: a NSA, um órgão federal ligado ao governo norte-americano que se tornou bastante conhecida na última década, mas atua há muito mais tempo no setor militar e estratégico do país.

O que é NSA?

A NSA é uma instituição federal dos Estados Unidos ligada ao Departamento de Defesa. A sigla significa National Security Agency, ou Agência de Segurança Nacional em português.

O departamento é responsável por atividades de monitoramento, processamento de informação e serviços de inteligência doméstica e estrangeira. Basicamente, o seu objetivo é capturar fluxos de informação e canais de comunicação para interceptar possíveis riscos à nação.

A agência sempre foi muito discreta em atuação: ela é formada majoritariamente por militares e técnicos, sem ter espiões, como a CIA, ou investigar casos criminais diretamente, como o FBI. Ainda assim, ela é dotada de um orçamento anual bilionário usado na manutenção de servidores, centros de dados e equipamentos de decodificação que atuam sem parar.

O principal mote atual da instituição é proteger o país contra o terrorismo e atuar em ciberguerras, que são os conflitos digitais contra organizações de outros países. Entretanto, ela também se envolve em questões de cibersegurança e pode até reportar invasões em massa ou fraudes de nível nacional com grandes proporções.

Atualmente, o quartel-general da NSA fica em uma base militar no Fort Meade, na região de Maryland.

Como surgiu a NSA

Apesar de hoje ser mais conhecida por métodos avançados de espionagem que utilizam-se de métodos digitais, a NSA tem pioneiros bem mais antigos.

O interesse do país pelo assunto nasceu em 1917, quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial e inauguraram uma unidade de criptografia e decodificação de mensagens de telégrafo. O primeiro escritório ficava na capital Washington, mas era formada por uma equipe bastante reduzida.

A NSA foi estabelecida oficialmente como um órgão apenas em 4 de novembro de 1952, quando o presidente Harry S. Truman sancionou uma diretiva do Departamento de Defesa para “descobrir os segredos os inimigos, proteger segredos dos Estados Unidos e estrategicamente vencer quem está tentando nos prejudicar”.

Ao longo dos anos, ela foi bastante atuante em conflitos como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia e a Guerra Fria, ao trabalhar com espionagem contra os soviéticos e aliados, como no caso da crise dos mísseis de Cuba, em 1962.

Polêmicas e controvérsias

Apesar de ser importante na manutenção dos esforços militares do país há décadas, a NSA sempre operou de maneira bastante discreta. Ela só foi de fato popularizada a partir de 2013 — e não por um bom motivo, ao menos para a agência.

Tudo começou com a delação de Edward Snowden, um ex-técnico da CIA, que descobriu as atividades ilegais do PRISM. Esse é o nome do projeto da NSA que, a partir de parcerias com empresas de telefonia e de tecnologia, simplesmente capturava o máximo possível de dados transmitidos via internet em diversos países.

Segundo a denúncia de Snowden, o que deveria ser uma coleta seletiva de informações para defender o país foi aos poucos transformado em um monitoramento generalizado, sem a autorização dos usuários e com a coleta de dados que iam desde troca de mensagens e ligações telefônicas até o uso de vídeos.

A NSA passou a arquivar dados de cidadãos comuns, empresas privadas e governos aliados — sendo que espionou até a Petrobrás e na época a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Anos depois da denúncia, com Snowden agora um morador da Rússia, tribunais norte-americanos confirmaram que as atividades da agência eram de fato ilegais e contrariam a própria legislação norte-americana.

Apesar de ter sido a mais grave, essa não foi a única controvérsia recente da NSA: um exploit dela mesma teria sido a origem do WannaCry, um dos mais temidos ransomwares dos últimos anos.

Além disso, atualmente ela é um dos pilares da guerra política e comercial contra a China. O órgão acusa marcas como a Huawei e a ZTE de práticas de espionagem a mando do governo — justamente o que colocou ela em evidência no mundo da tecnologia anos antes.

Fonte: tecmundo

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