O grande engano de Fernando Haddad

O grande engano de Fernando Haddad

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Fernando Haddad (Foto: REUTERS/Pilar Olivares)

Eric Nepomuceno – Brasil 247

O grande engano de Fernando Haddad, Eric Nepomunceno escreve sobre a decisão de Haddad, de deixar sua coluna na Folha de S.Paulo: “E é exatamente com amizade e respeito que escrevo o que penso da sua saída mais que justa e digna da Folha de S. Paulo. Penso que um dos grandes enganos dele foi justamente aceitar o convite para ser colunista semanal do jornal”.

Antes de qualquer coisa, quero esclarecer que meus contatos pessoais com Fernando Haddad se deram sempre num clima de afetuosa amizade e imenso respeito mútuo. Minha única queixa em relação a esses contatos é que até agora foram muito mais escassos do que eu gostaria.

E é exatamente com amizade e respeito que escrevo o que penso da sua saída mais que justa e digna da Folha de S. Paulo. Penso que um dos grandes enganos dele foi justamente aceitar o convite para ser colunista semanal do jornal. Houve, creio eu – nunca conversamos sobre o assunto –, uma dose sensível de ingenuidade da parte de Haddad.

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Convidá-lo para ser colunista de maneira alguma significava que o jornal deixaria de ser o que sempre foi: claramente manipulador, sem outra rota que a de defender os interesses das elites.

Foi também cúmplice, entre outras coisas, tanto da calhorda manipulação levada adiante por Sérgio Moro e companhia, como do golpe contra Dilma e, como consequência, da eleição de Jair Messias.

O grande engano de Fernando Haddad

Esclareço que, se eu tivesse sido convidado, aceitaria de imediato. Iria me juntar aos pouquíssimos colunistas que não trabalham na redação e são extremamente críticos, e críticos lúcidos, da destruição que o Aprendiz de Genocida e seus cúmplices impõem ao país.  Qual então a diferença entre Fernando Haddad e eu? Afinal, eu usaria, como ele usou, o meu espaço para dizer exatamente o que penso.  E aqui está a diferença: não sou figura pública, não atuo com destaque na vida política do país. Num caso de vil traição, o traído seria alguém que há mais de 50 anos vive do que escreve, e não um líder político importante.

Não tenho peso específico sobre companheiros de partido e luta, nem sobre o eleitorado.

Durante uma consistente sequência de sábados ele deu à Folha, com o peso de seu nome, algo escassíssimo na trajetória do jornal: dignidade. Fernando Haddad saiu como entrou: combativo, com a pontaria certeira de sempre. E a Folha continua como era: defendendo o que defendeu, e que Haddad ajudou a mudar, uma mudança inaceitável para os privilegiados de sempre, para os interesses de sempre. Só que agora com ainda menos dignidade.

Fonte: brasil247

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