Livro de memórias sobre Paulo Freire é lançado no ano de seu centenário

Livro de memórias sobre Paulo Freire é lançado no ano de seu centenário

Marcando o ano de celebrações pelo centenário do nascimento do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997), a Editora Expressão Popular, em parceria com o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC), lança a obra Cenários da libertação – Paulo Freire na prisão, no exílio e na universidade, de Clodomir Morais. 

O lançamento homenageia também a memória do autor, falecido em 2016. Morais foi jornalista, advogado, sociólogo e um importante intelectual e ativista das lutas do campo no Brasil. Militante comunista, foi uma das lideranças das Ligas Camponesas, organizações formadas pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) a partir de 1945.

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Assim como Freire, reconhecido internacionalmente pela criação de uma metodologia emancipatória de alfabetização, Morais desenvolveu teorias do conhecimento em defesa da reforma agrária. 


O livro do jornalista e ativista pela reforma agrária, Clodomir Morais, descreve 12 momentos vivenciados pelo autor desde o golpe militar de 1964 / Divulgação – Expressão Popular

Na publicação, o autor descreve 12 cenas biográficas, muitas das quais de convivência com Paulo Freire, de quem se tornou amigo próximo. Com o golpe militar de 1964, ambos tiveram seus direitos cassados, foram presos e dividiram cela em Recife. 

“Libertação tem a ver com esperança”

O que fez com que momentos duros, tais como as angústias prévias ao exílio ou a vivência dentro da cadeia, tenham tido suas narrativas compiladas sob o título de cenários de libertação? Foi essa a primeira pergunta dirigida ao escritor do prefácio do livro, o educador e ativista Sérgio Haddad, também autor de uma obra sobre Paulo Freire.

“Eles estão dentro da prisão não numa condição de esmorecimento, mas de busca, de procura, de luta”, avalia Haddad.

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“Paulo Freire usava muito a ideia de esperança ativa, que vai à luta; não uma esperança que espera”, explica o educador. “Então isso, unido à ideia da inexorabilidade da história, traz essa ideia de movimento”, aponta, ao refletir como ambos desenvolveram metodologias participativas. 

A transformação social, portanto, “não é algo dado que você tem que esperar para que ocorra, mas que você tem que participar porque esse futuro é você que constrói né?”, reflete Haddad. “Cenários de libertação tem a ver com essa ideia de construir futuro. De você pensar, sonhar, construir utopias e ir à luta atrás disso”, resume.  

Metodologias ativas

Mais do que simplesmente o desenvolvimento de métodos a serem aplicados, Sérgio Haddad chama a atenção para o fato de que ambos os pensadores cujos encontros são descritos no livro, se dedicaram a construir uma concepção, uma forma de pensar a construção do conhecimento.

“É a ideia de que todo mundo carrega consigo um saber, carrega uma experiência de vida, e que isso é base para a construção de processos de tomada de consciência e, consequentemente, de luta por direitos”, analisa Haddad. 

Cenários da libertação chega novamente ao público depois de 12 anos de ter sua primeira edição esgotada. Relembrar essas trajetórias, afirma a nota editorial que abre o livro, “é nos depararmos com a história recente de nosso país, marcada pelo avanço do autoritarismo e pelos ataques à educação”. Mas é, também, uma forma de esperançar.

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