Homem de negócio, Dallagnol abre empresa com Carlos Fernando e Moro mostra o sapatênis

Homem de negócio, Dallagnol abre empresa com Carlos Fernando e Moro mostra o sapatênis

Na mesma época em que a família Dallagnol saiu às compras – montando empresas ou adquirindo outras -, o ex-coordenador da Lava Jato e agora político oficial também realizou um antigo projeto de negócio.

Ele se associado ao procurador da república aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, o decano da Lava Jato, numa empresa que promove palestras e cursos, entre outras atividades, como o “treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial”.

A empresa, Complyapp Comply Aperfeicoamento Profissional e Pessoal LTDA, foi aberta no dia 27 de junho deste ano, quando Deltan Dallagnol ainda trabalhava no Ministério Público Federal. O capital social é de R $ 10 mil.

Pouco depois da abertura da empresa, Deltan Dallagnol anunciou em sua rede social que estava oferecendo um curso online, e uma das decorações, além dele próprio e de Carlos Fernando, era uma procuradora regional Thamea Danelon, que continua ativa no Ministério Público Federal.

“Eu vou fazer um evento online com duas grandes referências no combate à corrupção no Brasil e somente quem entrar na minha primeira turma vai poder participar ao vivo desse momento. Os possíveis serão Carlos Fernando dos Santos Lima e Thamea Danelon, e no evento nós vamos compartilhar nossas perspectivas individuais do futuro do combate à corrupção no Brasil e você vai receber uma análise completa sobre esse tema ”, escreveu em e-mail, conforme registrado o jornalista Rafael Moro Martins, em seu Twitter.

Na internet, circula a publicidade do curso que tem Dallagnol como chamariz. Na peça, a empresa dos ex-procuradores se apresenta termos termos: 

“A ComplyApp oferece cursos e treinamentos completos na área de justiça, cidadania, anticorrupção, lavagem de dinheiro, compliance, liderança, ética e integridade, ministrados por professores com formação e reconhecimento internacional nas suas áreas de ensino. Nossos professores passaram por instituições como Harvard , Cornell, Lava Jato, MPF, Escola Superior do Ministério Público da União, PUCRS Online e buscamos compartilhar com nossos alunos todo o conhecimento adquirido em anos de experiência. ”

Em dezembro de 2018, em um bate-papo com o agora sócio Carlos Fernando dos Santos Lima, na época procurador no exercício da função, Deltan foi ríspido ao comentar sobre seu plano de expansão de palestras remuneradas. A conversa se tornaria pública sete meses depois, quando o Interceptar divulgou parte das mensagens acessadas pelo hacker Walter Delgatti Neto.

“Estou a favor de maior autonomia, mas não me encham o saco, pra usar sua expressão, a respeito de como uso meu tempo. To me ferrando de trabalhar ”, afirmou (sic).

Em fevereiro de 2019, em um chat com outro procurador, Roberson Pozzobon, que ele chama de Robito, e as últimas esposas, Deltan Dallagnol discutiu a formação de uma empresa de palestras e uma forma de burlar a norma que proíbe integrantes do Ministério Público de gerenciar privados negócios.

“Só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal”, escrito.

Sobre a possibilidade da fraude ser investigada, Robito respondeu: “Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs. Que veeeenham ”.

Formalmente, Roberson Pozzobon não integra a empresa aberta há seis meses por Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima, responsável pela gerência da sociedade. O procurador que aparentemente era crítico das palestras realizadas por Deltan Dallagnol se tornou sócio. O que era entusiasta ficou fora. Deve ser difícil fazer negócio com Deltan Dallagnol.

No mesmo conjunto de mensagens acessadas por Delgatti, há outra em que o então coordenador da Lava Jato contabiliza seus lucros à atividade paralela à de procurador em 2018, mas só possíveis em razão da notoriedade adquirida como agente público.

“Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k. Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo”, disse o procurador. Em 2016, Dallagnol havia recebido R$ 219 mil com as palestras.

Não há, aparentemente, nenhuma ilegalidade na criação e manutenção da empresa com Carlos Fernando dos Santos Lima, excluída a hipótese de que empresas desse tipo podem ser usadas também para esquentar dinheiro. O que fica fora de qualquer dúvida é que a campanha do suposto combate à corrupção, que recebeu a chancela “Lava Jato”, foi uma grande oportunidade de negócio para ele.

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Ontem publiquei a notícia de que Sergio Moro, parceiro de Deltan Dallagnol na Lava Jato, foi a uma festa com um calçado caro, da marca Ermenegildo Zegna, que custa R$ 7,5 mil em seu modelo mais barato. O juiz, considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal, contestou a notícia e postou foto de um par de sapatênis Adidas e afirmou que era esse o modelo que usava.

Estranho que ele não tenha também contestado outros dois aspectos da vida de rico que sua família tem levado desde que abandonou a magistratura e o governo Bolsonaro: o aluguel da casa em Georgetown, Washington, no valor de R$ 50 mil por mês e um acessório que sua esposa usou em uma das festas de que participaram desde que Moro ficou famoso com a Lava Jato, a bolsa Botega Venetta, de R$ 15 mil. 

O sapatênis é um detalhe, como a bolsa, mas não irrelevante. Como diz o ditado alemão: “O diabo mora nos detalhes”. E veste Prada.

 

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