Educadores de Vila Bela decidem pela vida e questionam Seduc/MT por aulas improvisadas

A escola atende 34 turmas nos três períodos. São 40 professores em atividade na unidade

Os profissionais da Escola Estadual Verena Leite de Brito, em Vila Bela da Santíssima Trindade, se posicionaram contrários ao plantão pedagógico determinado pela Secretaria de Estado de Educação e cobram condições de trabalho para as aulas remotas na unidade. O ano letivo começou e as aulas acontecem de forma improvisada

Por meio de ofício, a subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep/MT), em Vila Bela, cobrou da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) adequações na unidade para as atividades pedagógicas remotas. O cenário registrado é de falta de equipamentos de informática, de conexão à rede e quadro pedagógico incompleto, para atender o número de turmas.

“O quantitativo de profissionais que atuam simultaneamente nos turnos é incompatível com os equipamentos disponíveis na unidade. A escola estadual registra 1137 matrículas, em três turnos, e é a única no município, sendo a outra escola mais próxima distante 200 km”, destaca a presidente do Sintep Vila Bela, Ana Cristina Freires.

Sobre o plantão pedagógico, determinado pelo ofício 01/2021 da Seduc/MT, ficou decidido pelos profissionais que não acontecerá. Além de sobrecarga de jornada, a medida coloca em risco a vida dos profissionais durante a pandemia da Covid-19. “Só no período da manhã, com as 19 turmas, cinco estudantes significariam 95 crianças e jovens circulando simultaneamente na escola”, relata Ana Cristina.

Aglomeração 

“A decisão da Seduc/MT significa aglomeração oficializada pelo governo. Apoiamos a ação dos profissionais numa atitude lógica e responsável diante do quadro de pandemia”, destacou o presidente do Sintep/MT. Valdeir Pereira. O presidente ressalta que a proposta do governo é irresponsável. Conforme informações repassadas pelos municípios ao Sintep/MT, os recursos disponibilizados são insuficientes para atender de forma segura os protocolos de saúde necessários.

Segundo a presidente da subsede em Vila Bela, durante do o ano letivo remoto, em 2020, os professores usaram os próprios equipamentos (notebook, celulares e internet). Contudo, o desgaste resultou em perdas e danos, devido ao uso intenso. O documento emitido pelo Sindicato aponta, inclusive, que a situação contraria à Lei 050/98, que estabelece a garantia de condições de trabalho, material pedagógico, e outras exigências, como dever da Secretaria de Estado de Educação.

Defesa da Vida

Para o professor Gilmar Soares Ferreira, secretário de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a decisão coletiva da escola em Vila Bela é exemplar e precisa ser seguida por todas as escolas que se encontram nas mesmas condições. Para ele “somente a decisão do coletivo da escola poderá confrontar a insensatez do governador Mauro Mendes, do Secretário de Estado de Educação Alan Porto, e das demais autoridades, que hoje fecham os olhos para a dura realidade enfrentada pelos profissionais da educação que tiveram suas condições de trabalho e de saúde agravadas com a pandemia”.

“Com esta decisão, a comunidade escolar dá verdadeiro testemunho de valorização da vida, em que pese as aulas remotas não assegurar a inclusão de todos, por opção do próprio governo, quando deixou de preparar as escolas para esse momento de transição”, finalizou Gilmar Soares.

Fonte: Sintep-MT

Foto: Computadores disponíveis para os professores

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