Decisão agora é entre viver ou ser parte da estatística diz Secretário na Saúde

O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que a população precisa reavaliar o próprio comportamento e parar de apostar em leitos de UTI durante a pandemia da Covid-19, uma vez que não há vaga para todos.

Em conversa com a imprensa, nesta semana, Figueiredo disse entender os prejuízos que medidas de biossegurança – como as restrições determinadas pelo Governo do Estado e o distanciamento social – causam à sociedade como um todo, mas que são necessárias para conter o avanço do vírus.

“É uma questão de arbítrio correr os riscos. Eu sei que as pessoas precisam se locomover, precisam de subsistência. Nesse momento, sei que é sacrifício para todos. Mas cada um tem que nivelar qual a importância da sua vida. Essa agora é a decisão: entre viver ou ser parte da estatística”, alertou.

O secretário afirmou que o fato de a própria população não acreditar na gravidade da doença – sendo ela o principal vetor do vírus e quem ajuda na ampliação da área de contaminação – é um dos fatores que fez com que a sociedade chegasse ao caos atual na saúde.

“Há uma série de fatores. O negacionismo, tratando uma doença com essa gravidade como se fosse uma gripezinha; a mensagem dada à população por algumas autoridades de que não precisaria usar máscara; o conceito cético da população de que só 5% precisam de hospital e ele não estaria entre eles”, criticou.

“Não precisaria ser nenhum especialista para estimar o que viria pela frente”, completou.

Figueiredo salientou, ainda, que a população precisa parar de apostar em leito de UTI como a salvação para a doença, apontando dados científicos da Sociedade Brasileira de Medicina Intensiva de que a taxa de óbitos em leitos de UTI públicos são na ordem de 70% no país.

“Não dá para apostar em uma iniciativa que salva 30%. Apostar em um leito de UTI não é o caminho”, afirmou.

Sem UTIs

O secretário comentou, ainda, sobre a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid no Estado, que hoje está na casa de 96%, o que, segundo ele, significa ocupação total. Até terça-feira (16), Mato Grosso tinha 80 pessoas na fila de espera por uma vaga em UTI.

Segundo ele, os leitos que ainda existem nos hospitais, hoje, são os chamados “leitos de retaguarda”, disponíveis para pacientes que já estão dentro do hospital, na ala da enfermaria, e cujos quadros não evoluem positivamente.

Figueiredo ainda pontuou o valor aportado pelo Estado para manter os leitos abertos.

“Mato Grosso gasta por mês R$ 35 milhões com custeio desses 500 leitos de UTI criados. Isso é um volume substancial, que poderia, pelo comportamento da população, ser até de certa forma economizado”, criticou.

Ele ainda reclamou da postura dos gestores municipais que cobram diariamente a abertura de novos leitos de UTI como se essa fosse a solução para a pandemia.

“Todo prefeito e secretário no interior acha que criar leito de UTI é solução, enquanto o Governo Federal aportou recursos em todos os municípios do país para que eles cuidassem de um tratamento preventivo antes de a coisa se agravar, e isso de forma generalizada não aconteceu. Agora, todos demandam ao mesmo tempo”, disse.

Fonte: folha5

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