Cadastro de artistas para receber cesta básica tem recorde de inscritos em Porto Alegre

Cadastro de artistas para receber cesta básica tem recorde de inscritos em Porto Alegre

Foto: Alex Rocha/PMPA

No começo de abril, artistas de circo receberam doações da SMC por sugestão do Conselho Municipal de Cultura

Foto: Alex Rocha/PMPA

O cadastro de trabalhadores da cadeia econômica da cultura residentes em Porto Alegre que se encontram em situação de insegurança alimentar foi aberto na sexta-feira, 20, pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre (SMC). Nesta segunda-feira, 24, já não era mais possível se inscrever para receber a doação – uma cesta básica por CPF.

A ação da SMC prevê a distribuição de 600 cestas de alimentos, adquiridas pela pasta por R$ 78 mil, a pessoas que comprovem atuação na área cultural e que não tenham acesso a qualquer rendimento, inclusive em outras funções. Os critérios excluem a massa de profissionais da cultura, apontam representantes do setor.

Foto: Ederson Nunes/CMPA

Luciano Fernandes (D), presidente do CMC e do Sated/RS

Foto: Ederson Nunes/CMPA

Essa não foi a primeira iniciativa para levar alimentos a trabalhadores do setor em Porto Alegre que ficaram sem trabalho e sem renda devido às restrições impostas pela pandemia às atividades culturais. No início de abril, por sugestão do Conselho Municipal de Cultura (CMC) e do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do estado (Sated/RS), a Coordenação de Artes Cênicas entregou 50 cestas básicas com 200 quilos de alimentos para profissionais que atuam em dois circos instalados em Porto Alegre.

“Foi a primeira vez que essa gestão olhou para os profissionais do circo, que tem mais de 100 profissionais cadastrados e muitas famílias expostas à vulnerabilidade com a pandemia”, aponta Luciano Fernandes, presidente do CMC e do Sated/RS, autor da proposição. Ele destaca que os setores mais populares da cultura precisam de iniciativas urgentes de geração de trabalho e renda, pois são os mais atingidos. “Imagine como está a vida em toda a periferia, o pessoal do hip hop, da cultura popular”, sugere.

Fome de quê?

Foto: Anselmo Cunha/PMPA

Foto: Anselmo Cunha/PMPA

“Quem tem fome tem urgência. É hora de apoiar os nossos artistas que estão precisando. São muitas pessoas da classe e, embora, a assistência social não seja uma atribuição da cultura, vivemos algo inédito, e isso é nossa prioridade”, reconhece o secretário de Cultura da capital, Gunter Axt. A SMC informou que abriu um canal para receber doações e dar continuidade às doações de cestas básicas a profissionais do setor.

A corrida pelo básico, por alimentos, evidencia a situação de penúria em que se encontra grande parte de quem vive da cadeia cultural, afirma o iluminador Ronaldo Treme, presidente da Associação Riograndense dos Técnicos de Espetáculos e Eventos (Artee).

A entidade ainda está sendo fundada, com a proposta de buscar mais representatividade junto ao poder público e cobrar políticas públicas para a geração de renda para a categoria. Treme diz que a massa de trabalhadores da cultura não tem registro. “Tem técnico conhecido nacionalmente que não tem registro, outros moram no RS, mas trabalham para artistas de outros estados”, ilustra.

Políticas públicas

Foto: Acervo Pessoal

“Todos foram atingidos pela pandemia, mas nós que atuamos escondidos ficamos invisíveis”, diz o iluminador Ronaldo Treme

Foto: Acervo Pessoal

Sem desmerecer as ações solidárias, o pessoal da cultura questiona a falta de políticas públicas de geração de trabalho e renda pela SMC, como o Fumproarte, que não vem sendo mais promovido nos últimos 3 anos. Além disso, ele aponta a exclusão dos técnicos e do pessoal da graxa (o staff que carrega o piano nos eventos) da Lei Aldir Blanc. O segmento mais necessitado é justamente daqueles que não conseguem comprovar nada, explica.

“Na hora que aparece a Lei Aldir Blanc, apenas 5% dos técnicos foram contemplados. Com o prêmio Trajetórias foi pior ainda, apenas seis contemplados”, aponta. Porto Alegre tem cerca de 1,5 mil técnicos e no estado a estimativa supera os 5 mil, um mapeamento difícil de organizar fora dos dados cadastrais, já que a maioria atua na informalidade ou não tem registro, explica Treme.

Do início da pandemia até hoje eu tive oito dias de trabalho, mas a maioria ficou sem um mínimo para sobreviver. De uma hora para outra, os trabalhos foram cancelados. Tem técnico passando fome, que perdeu a casa, que acabou o casamento e foi morar num galpão. Todos foram atingidos pela pandemia, mas nós que atuamos escondidos ficamos invisíveis”.

Já de acordo com o Sated/RS, estado tem 4.432 artistas e técnicos cadastrados, sendo 2.293 em Porto Alegre.

Fonte: extraclasse

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