Ator denuncia erro médico e omissão de documentos em hospital onde irmão morreu

Ator denuncia erro médico e omissão de documentos em hospital onde irmão morreu

Benedito Wilson dos Santos Carmo, 55, irmão do ator André D’ Lucca, morreu de covid-19 no dia 18 de abril e até agora a família não conseguiu acesso aos prontuários do paciente. Além de denunciar a omissão de documentos, a família da vítima relata erro médico, negligência nos cuidados e uso de medicação errada, que pode ter provocado a morte do homem, que passou 9 dias no Hospital Estadual Santa Casa.

O homem foi internado com o novo coronavírus em 9 de abril. Exame de imagem mostrava 25% do pulmão comprometido e ele foi levado para ao Pronto Atendimento (PA) do hospital e depois levado para Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Logo nos primeiros dias, a família ainda conseguiu se comunicar com o paciente via chamada de vídeo. “Ele estava bem, tranquilo. Ainda perguntou do jogo do Flamengo”, contou a irmã, Luciana Mara dos Santos.

Logo após a família soube que o paciente estava passando mal, que estava com crise de ansiedade e a irmã conseguiu autorização para visita-lo. Ela é enfermeira e tem ampla experiência em UTI. Hoje atua em hospital privado, mas já atendeu na Santa Casa.

Logo na segunda-feira (12) os equívocos começaram. Mesmo com a autorização dos médicos para que visitasse o irmão, um dos seguranças a impediu de acessar o local. Alegava que não iria arriscar o emprego para liberar a passagem da mulher.

“Eu expliquei a situação e que tinha autorização, mas ele disse que não podia. Argumentei que não era uma questão de trabalho, mas de vida. Mesmo assim ele não deixou entrar naquele dia. Só consegui ver meu irmão na terça”, relata. No dia seguinte, o paciente foi intubado e não teve mais contato com a família.

Nos 9 dias em que passou internado, Benedido só não foi visitado pela irmã no dia em que o porteiro não deixou. Contudo, em todas as vezes a enfermeira encontrava situações erradas e procedimentos realizados no irmão que não estavam no boletim médico.

“Meu irmão teve duas paradas cardíacas e eu soube porque conheço pessoas lá e depois questionei os médicos e eles confirmaram. Não estava no prontuário. Ele estava com dois acessos e perguntei o motivo. Um obstruiu e a ninguém viu, a medicação não chegava. Tiveram que fazer outro acesso. Tudo isso eu soube porque fui lá ou porque me contaram e eu cobrei. Tem muita gente que está lá sozinha”, relata.

Por conta da obstrução do acesso, o paciente teve um pneumotórax (quando o sangue fica acumulado) e precisou ser colocado um dreno, para retirar o líquido.

A enfermeira narra que em uma das visitas encontrou uma medicação que comprime os vasos sanguíneos, numa tentativa de elevar a pressão arterial do interno. Contudo, a medicação deveria ser ministrada via bomba, de forma estável e controlada, mas era injetada no paciente por meio de gravidade, que tem oscilação na velocidade que o remédio entra no organismo.

“Nesse momento, eles acabaram com todas as chances de sobreviver do meu irmão. Fritaram o cérebro dele. No dia seguinte, eu fui visita-lo e vi que estava com pupulas dilatadas. Já estava com morte cerebral”, conta a mulher. Na noite daquele domingo (18), a família foi informada sobre a morte do paciente.

A enfermeira informa que havia 1 técnica de enfermagem e duas enfermeiras no local, cuidando dos pacientes. Duas deram apenas o primeiro nome e a terceira não quis se identificar.

Luciana Mara conta que faltava medicamento e alguns itens de uso dos pacientes eram levados por ela.

Após o falecimento, a família requereu os a relação de plantão dos dias em que o irmão passou internado e também os prontuários dos remédios aplicados e procedimentos realizados por Benedito Wilson. Entretanto, até agora os documentos não foram recebidos. A família pretende acionar a Justiça contra o hospital por conta dos erros identificados.

“Não queremos que isso ocorra com outras famílias. Queremos justiça pelo meu irmão”, assevera a enfermeira.

O ator Andre D’Lucca alega que a demora em entregar os documentos sugere uma tentativa de destruir os mesmos. “A gente exige o afastamento da direção da Santa Casa. Queremos justiça, que os culpados sejam responsabilizados”, afirma o artista.

Outro lado

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi procurada e encaminhou a seguinte nota:

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), por meio da diretoria do Hospital Estadual Santa Casa, informa que foi instaurada uma sindicância para apurar a situação narrada pelo ator André D’Lucca. O procedimento de sindicância irá apurar os fatos ocorridos no período em que o paciente esteve internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid-19.

Fonte: folhamax

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