“A maquiagem realçou uma beleza na minha deficiência na qual eu não conseguia enxergar antes.”

“A maquiagem realçou uma beleza na minha deficiência na qual eu não conseguia enxergar antes.”

Quando eu era nova eu não entendia o porque de ter acontecido comigo ter essa deficiência, e eu lutava todos os dias no espelho pois me sentia horrivel.

Não tinha autoestima, nem segurança e quase nenhum amor próprio. Vivia comprando revistas da Capricho, onde aparecia diversas meninas lindas, bem estilosas, maquiadas, com aquelas makes coloridas ( inclusive tenho até hoje uma revista da capricho só de MAQUIAGEM, onde ensinam diversas makes). Me lembro que meu Pai começou a comprar umas maquiagens para mim, acho que eu tinha uns 11/13 anos, e eu não sabia como usá-las mas mesmo assim tentava, e mesmo aplicando de qualquer jeito eu me sentia LINDA e diferente, e via que ali eu tinha outra versão de mim mesma.

Minha autoestima foi melhorando, fui descobrindo o poder da maquiagem na minha vida e o quanto ela pode SIM transformar nossas vidas e a forma como nos vemos. Me lembro que com cerca de 13 anos passei um pó compacto no rosto extremamente LARANJA e fui pra escola daquele jeito mesmo (não fazia ideia, na minha cabeça estava tudo certo), e quando cheguei lá muitas pessoas riram de mim, mas de qualquer forma me lembro de não ter deixado abalar.

Um dos produtos que mais fizeram diferença para mim sem dúvidas foi o RÍMEL, sendo monocular achava incrível o quanto de alguma forma poderia deixar meu olho bonito! Mesmo que na época eu usava o cabelo cobrindo o olho monocular, quando era só eu e eu no espelho eu gostava do que via. Por um tempo até virei dependente da maquiagem, dormia e acordava com ela, mas quem nunca?

Mas depois que descobri o significado que ela tinha na minha vida as coisas mudaram e fiz dela uma amiga. Entendi que não precisava de muito para ficar bonita, que não precisava sempre estar maquiada para me sentir bem, mas quero que saibam que a maquiagem foi o primeiro passo para eu me tornar vaidosa, começar a ter mais autocuidado e mais amor próprio. Foi meu primeiro contato com a minha autoestima.

Seria uma honra ver pessoas com deficiência estampando revistas de maquiagem, aparecendo em propagandas, tv e tudo mais, usando e divulgando esses produtos que fizeram parte no meu processo de construção do que é o amor próprio.

Espero que um dia isso se idealize, e outras pessoas que sentem inferiores pela sua deficiência possam ver o quão lindas elas são.

Por: Larissa Narryma

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