A falsa frente “anti-Bolsonaro”

Por: Redação, Diário Causa Operária

Um episódio da política nacional mostra que existe uma luta interna dentro da burguesia. Entre Bolsonaro e os chamados políticos “cientistas”. É a eleição dos presidentes do Congresso Nacional, onde há um conflito, que chegou a parar no Supremo Tribunal Federal (STF).

É preciso notar, antes, que a ala direita do bloco dominante da política nacional, que tem como centro o DEM, deu inúmeros sinais de aproximação ao bolsonarismo, inclusive para um segundo mandato de Bolsonaro em 2022, o que mostra, na realidade, a falsidade dessa frente anti-Bolsonaro.

A esquerda, diante do embate da eleição no Congresso Nacional, fica na mesma política de apoiar o “mal menor”. Existe uma pressão para que a esquerda apoie a ala de Rodrigo Maia, do DEM, que tem o PP, PSD, e outros partidos que, em quase totalidade, serve de base para o governo Bolsonaro e do próprio golpe de Estado.

Com esse acontecimento, ficou um pouco mais esclarecido o debate do “mal menor”. A política da esquerda não se pauta por um programa, por uma perspectiva de luta, é uma política sem rumo, que não consegue se cristalizar como política própria, pois fica subordinada à burguesia, subordinada à direita. Por isso a campanha em torno de Rodrigo Maia.

A política do “mal menor”, parte do empirismo, foi demonstrada na prática na questão da luta contra Bolsonaro nas eleições. Não importava quem fosse vencer, contanto que não fosse algum político ligado diretamente a Jair Bolsonaro. Na questão do vírus também aconteceu a mesma coisa: apoiaram os governadores do “mal menor”, como João Doria, que tentava se mostrar oposto a Jair Bolsonaro na questão do Covid-19. Agora, para a escolha dos presidentes das duas casas do Congresso, a esquerda aparece defendendo o “mal menor”, ou seja, os políticos da direita nacional.

A verdade é que, com isso, a esquerda deixa de existir enquanto esquerda. O que justifica a existência da esquerda, se na verdade a esquerda existe para apoiar alguém da direita?

Nas eleições, o programa da esquerda é uma peça de oratória vazia, não há nada de efetivo. A esquerda, na verdade, não existe. Um dos grandes efeitos da ascensão de Bolsonaro ao poder é que a esquerda se apagou do cenário político.

É preciso fazer uma observação da eleição municipal. A luta era para derrotar Bolsonaro. Qual é o balanço dessa luta (luta contra o fascismo)? De duas uma: ou é preciso admitir que a direita nacional é a salvação do País, através de João Doria e outros cientistas, ou a salvação seria a política da esquerda.

Se for a política da esquerda, não houve nenhuma derrota de Bolsonaro. O bloco golpista de conjunto sai vitorioso das eleições. Foi uma derrota total da esquerda. Se a eleição é o caminho, o que aconteceu foi que Bolsonaro saiu vitorioso. A luta contra o fascismo naufragou, e, na verdade, teríamos que dizer que a vitória do fascismo é até inevitável no Brasil, se formos pegar apenas por este aspecto.

Agora, na maioria dos balanços da esquerda, ela faz cortesia com chapéu alheio. “O bolsonarismo foi derrotado”, diz a esquerda, mas por João Doria, Eduardo Paes, PSDB, DEM, etc. A esquerda assume como seu programa o programa da direita. Se a direita é quem vai salvar o País do fascismo, ela se transforma em um apêndice político da direita, por força da política de frente ampla.

Em todos esses acontecimentos, a esquerda deveria ter tido uma posição independente, mesmo que reformista. A esquerda se apagou, e se deixou levar pela maré da direita. Graças a isso, o bloco dominante, com Doria e outros, conseguiu transferir para si, no terreno institucional, a polarização com Bolsonaro. É a direita “científica”, que não é negacionista, como disse Bruno Covas em seu discurso da vitória. A esquerda ficou à reboque desse posicionamento político, do “mal menor”.

Assim, o grande segredo da política da esquerda é ficar à reboque da política da direita, de escolher entre o tigre e o leão para ver quem vai devorar você. Esquecer os líderes da humanidade, as revoluções, e substituir tudo pela política do “mal menor”. A esquerda caiu nesse vácuo político absoluto.

Ela se apagou e não tem um papel político definido. Só se sabe que a esquerda quer fazer qualquer negócio para derrotar Bolsonaro, que é uma anulação total, mesmo que isso seja feito com outros golpistas.

Bolsonaro não é o único que o povo e a classe trabalhadora tem como inimigo. O problema maior, inclusive, são os setores da burguesia que colocaram Bolsonaro no governo, que deram o golpe de Estado, que impediram a participação de Lula nas eleições. É uma luta contra os seus patrocinadores, que são os golpistas. Se eles fazem uma encenação, para recuperar seu papel político, a esquerda não deveria aceitar essa encenação, e sim denunciar.

A luta contra Bolsonaro é uma luta contra o golpe de Estado, contra a burguesia que deu o golpe de Estado, contra o imperialismo que organizou o golpe no Brasil e em outros países.

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